Irã mantém bloqueio do Estreito de Ormuz e exige indenização dos EUA para reabertura
O Irã anunciou neste domingo (9) que não reabrirá o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de energia no mundo, até que os Estados Unidos atendam a condições financeiras e políticas. Entre as exigências, está o pagamento de indenizações pelos danos causados durante a guerra. O bloqueio, imposto desde fevereiro, já provocou o colapso de um cessar-fogo assinado em abril e elevou as tensões geopolíticas na região.
Exigências iranianas e impacto global
A Guarda Revolucionária do Irã confirmou que o Estreito de Ormuz, por onde circulavam 20% do transporte global de energia antes do conflito, permanecerá fechado até que os EUA cumpram uma série de demandas. Além de indenizações financeiras, Teerã exige garantias de que Washington nunca mais ameaçará a república islâmica e o fim definitivo da guerra na região. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as negociações com Omã sobre a gestão do estreito estão em estágios finais, mas reforçou que a reabertura depende do cumprimento das condições impostas. O bloqueio foi implementado após ataques coordenados entre EUA e Israel no final de fevereiro, resultando em uma escalada militar que levou ao colapso do cessar-fogo de abril. Desde então, o Irã tem atacado navios que tentam contornar a rota preferencial estabelecida por Teerã, cobrando pedágios pela passagem e intensificando a instabilidade no comércio internacional de petróleo e gás.
Mediadores buscam retomada de acordo
Mediadores internacionais, incluindo representantes de países neutros, têm pressionado ambos os lados a retornarem aos termos de um acordo assinado em junho, que previa um caminho para negociações de paz. No entanto, o Irã nega estar em diálogo direto com os EUA, afirmando que as comunicações ocorrem apenas por meio de intermediários. O ministro Araghchi destacou que as discussões com Omã estão avançadas, mas reiterou que a reabertura do estreito está condicionada à compensação pelos danos sofridos durante o conflito. A crise no Estreito de Ormuz já afeta diretamente a economia global, com o aumento dos custos de transporte e a escassez de recursos energéticos. Analistas alertam que a persistência do bloqueio pode levar a uma nova onda de instabilidade nos mercados internacionais, especialmente em um contexto de recuperação econômica pós-pandemia.