Epidemia do Riso de 1962 na Tanzânia: Surto psicogênico coletivo fechou escolas e assustou comunidades
Em 1962, a Tanzânia (então Tanganica) registrou um dos fenômenos psicológicos coletivos mais intrigantes do século 20: a 'Epidemia do Riso'. O surto começou em um internato feminino em Kashasha e se espalhou rapidamente, afetando centenas de pessoas, fechando escolas e gerando sintomas como riso incontrolável, choro, ansiedade e agressividade. Especialistas classificaram o caso como uma doença psicogênica coletiva, ligada ao estresse e à tensão social pós-independência do país.
O início do surto e a disseminação
O fenômeno teve início em janeiro de 1962, em um internato feminino na vila de Kashasha, região rural da Tanzânia. Na época, o país havia conquistado recentemente sua independência do domínio britânico, vivendo um período de transformações políticas e sociais. Três estudantes começaram a rir de forma incontrolável durante as aulas, sem motivo aparente. Em poucos dias, o comportamento se espalhou para outras 95 alunas, forçando o fechamento temporário da escola em 18 de março de 1962. Ao retornarem para suas casas, as jovens levaram o surto para suas comunidades, afetando centenas de pessoas e provocando o fechamento de outras 14 escolas na região.
Sintomas e impacto social
Os sintomas da 'Epidemia do Riso' incluíam crises de riso prolongadas, que podiam durar horas ou até dias, intercaladas com episódios de choro, ansiedade, agitação e agressividade. Algumas pessoas também relataram dificuldades de concentração, dores abdominais e desmaios. O surto não estava relacionado a diversão ou felicidade, mas sim a um quadro de estresse coletivo. Especialistas apontaram que a pressão emocional decorrente das mudanças políticas e sociais no país, somada ao ambiente rígido dos internatos, contribuiu para o fenômeno. A situação gerou pânico nas comunidades afetadas, com relatos de que o riso 'contaminava' outras pessoas, criando um efeito dominó.
Explicação científica e legado
Pesquisadores classificaram o caso como uma 'doença psicogênica coletiva' (ou transtorno psicogênico em massa), um fenômeno em que sintomas físicos ou psicológicos se espalham rapidamente entre membros de um grupo fechado, sem causa orgânica identificável. Estudos posteriores relacionaram surtos semelhantes a contextos de alta pressão emocional, como guerras, crises políticas ou ambientes escolares rígidos. A 'Epidemia do Riso' da Tanzânia se tornou um dos exemplos mais estudados desse tipo de ocorrência, destacando como fatores sociais e psicológicos podem desencadear reações coletivas extremas. O surto durou cerca de 18 meses e afetou mais de mil pessoas antes de desaparecer gradualmente.