Lula ameaça reciprocidade contra EUA após ordem de expulsão de delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil pode adotar reciprocidade contra um cidadão americano no país após os EUA ordenarem a saída de um delegado brasileiro ligado à prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem. O governo americano acusou a autoridade de tentar contornar pedidos formais de extradição para perseguição política. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil nega irregularidades e aguarda esclarecimentos.
Contexto do caso
Os Estados Unidos ordenaram, na segunda-feira (20), a saída do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Miami desde março de 2023. Segundo o governo americano, Carvalho tentou 'contornar pedidos formais de extradição' para promover 'perseguições políticas' no território dos EUA. A Embaixada dos EUA no Brasil confirmou à TV Globo que a autoridade citada é o delegado brasileiro. Sua missão, com duração prevista de dois anos, incluía a identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira nos EUA.
Reações do governo brasileiro
O presidente Lula declarou que não aceitará 'ingerência e abuso de autoridade' por parte dos EUA e sugeriu a possibilidade de reciprocidade. 'Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil', afirmou em conversa com a imprensa na porta do Hotel em Hannover, na Alemanha. O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a notícia como 'sem fundamento' e afirmou que o Brasil aguarda esclarecimentos das autoridades americanas.
Posicionamento dos EUA
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano divulgou uma nota em rede social afirmando que 'nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos'. A medida foi interpretada como uma resposta direta à atuação do delegado brasileiro.