Série 'Severance' completa quatro anos e reacende debate sobre 'workism' e identidade profissional
A série 'Severance', criada por Dan Erickson e dirigida por Ben Stiller, completa quatro anos desde sua estreia na Itália e continua a ser um fenômeno cultural global. A trama explora a separação neurocirúrgica entre memórias de trabalho e pessoais, refletindo um desejo coletivo de desvincular a vida profissional da pessoal. O conceito de 'workism', cunhado pelo jornalista Derek Thompson, ganha destaque ao analisar como o trabalho se tornou o centro da identidade e propósito de vida para muitos, especialmente entre profissionais mais instruídos.
O fenômeno 'Severance' e sua relevância cultural
Quatro anos após sua estreia na Itália, 'Severance' se consolidou como um marco na discussão sobre a relação entre trabalho e identidade. A série, ambientada na empresa biotecnológica Lumon, aborda um procedimento neurocirúrgico que divide as memórias dos funcionários em dois compartimentos: um para o trabalho e outro para a vida pessoal. Essa premissa, embora fictícia, ressoa com um anseio contemporâneo de separar as esferas profissional e privada, algo cada vez mais difícil em uma sociedade onde o trabalho ocupa um espaço central na construção da identidade.
O 'workism' e a crise de identidade profissional
O jornalista Derek Thompson, em artigo publicado no *The Atlantic* em 2019, introduziu o termo 'workism' para descrever a tendência de tratar o trabalho não apenas como uma necessidade econômica, mas como o núcleo da vida e seu propósito fundamental. Thompson observou que profissionais mais instruídos passaram a buscar no ambiente de trabalho o mesmo sentido de comunidade, significado e realização que antes eram encontrados em instituições religiosas ou sociais. Essa cultura, no entanto, expõe os indivíduos a uma ansiedade coletiva, decepções e formas de esgotamento profissional difíceis de conter, uma vez que a autorealização é atrelada a um emprego remunerado.