Doença genética rara na África do Sul redefine papel da amígdala cerebral além do 'centro do medo'
Pesquisadores da University of Cape Town identificaram que a doença de Urbach-Wiethe, uma condição genética rara que afeta a amígdala cerebral, desafia a visão tradicional dessa estrutura como apenas o 'centro do medo'. Estudos com pacientes na região de Namaqualand, na África do Sul, revelam que a amígdala também influencia decisões sociais, confiança e preocupação com outras pessoas. A descoberta foi publicada na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences* em abril de 2025.
A doença de Urbach-Wiethe e seus impactos
Descrita pela primeira vez em 1929 pelos pesquisadores Erich Urbach e Camillo Wiethe, a doença de Urbach-Wiethe é um distúrbio genético recessivo que afeta o gene ECM1, responsável pelo tecido conjuntivo da pele. Os sintomas incluem inflamações cutâneas, alterações nas cordas vocais e calcificações cerebrais, especialmente na amígdala. Pacientes podem apresentar ainda epilepsia, paranoia e outros sintomas psiquiátricos. Na região de Namaqualand, no norte da África do Sul, foram identificados 34 dos cerca de 100 casos conhecidos globalmente, tornando-a uma das maiores concentrações da doença no mundo.
Revisão do papel da amígdala cerebral
Historicamente associada ao medo, a amígdala cerebral teve sua função reavaliada após estudos com pacientes portadores da doença de Urbach-Wiethe. Experimentos anteriores com animais já haviam demonstrado que danos nessa região eliminavam respostas defensivas. No entanto, pesquisas recentes lideradas pelo neurocientista Jack van Honk indicam que a amígdala também desempenha um papel crucial em comportamentos sociais, como confiança e tomada de decisões interpessoais. Essas descobertas sugerem que a estrutura cerebral possui funções mais complexas e abrangentes do que se imaginava.