Venda de carne de burro na Argentina vira polêmica nacional e expõe crise econômica sob Milei
A comercialização de carne de burro a preços três vezes menores que a carne bovina em um açougue na Patagônia argentina gerou controvérsia e mobilizou políticos, refletindo a crise econômica no país. O presidente Javier Milei usou o caso para defender sua gestão, mas dados foram contestados por portais de checagem. Apesar de não ser proibida, a carne de burro não possui cadeia produtiva estruturada para consumo interno no país.
Contexto e reações
Em Trelew, cidade de 100 mil habitantes na província de Chubut, a venda de carne de burro a 7.500 pesos por quilo (cerca de R$ 25) chamou atenção nacional. O preço, quase três vezes inferior ao da carne bovina, tradicional no país, levou a população a experimentar o produto. "É uma experiência nova. Queremos vender tudo", afirmou um atendente do açougue Jones Carnicería. A polêmica atingiu o presidente Javier Milei, que defendeu seu governo nas redes sociais com dados sobre o consumo de carne bovina, posteriormente contestados por portais de checagem.
Debate prévio e legislação
O debate sobre o consumo de carne de burro não é recente. Em novembro de 2025, a Argentina sediou uma jornada internacional sobre produção de carne de mulas e burros em Mendoza, com participação de universidades e especialistas. O evento discutiu o consumo da carne e do leite de burros, além de seu uso em terapias assistidas. Apesar de não ser proibida, a comercialização da carne de burro enfrenta limitações legais: a produção deve ocorrer em frigoríficos habilitados e com inspeção sanitária, mas não há uma cadeia nacional estruturada para consumo interno.