Kimberlé Crenshaw lança memórias e enfrenta apagamento de legado intelectual nos EUA sob governo Trump
A jurista e ativista Kimberlé Crenshaw, criadora do termo 'interseccionalidade' e uma das desenvolvedoras da Teoria Crítica da Raça, lança suas memórias em meio a um contexto de censura e desmonte de políticas de diversidade nos Estados Unidos. Desde o retorno de Donald Trump à presidência em 2026, ordens executivas proibiram o ensino de 'critical race theory' em escolas e eliminaram programas de equidade racial em agências federais, resultando no apagamento sistemático de décadas de trabalho acadêmico e ativismo.
Interseccionalidade e Teoria Crítica da Raça sob ataque
Em 1989, Kimberlé Crenshaw cunhou o termo 'interseccionalidade' para descrever como raça e gênero se sobrepõem e moldam experiências individuais, muitas vezes ignoradas pelo sistema legal. Na mesma época, ela integrou um grupo de acadêmicos afro-americanos que desenvolveu a 'Teoria Crítica da Raça', um framework que analisa como o racismo está enraizado em sistemas jurídicos, não apenas em preconceitos individuais. Desde janeiro de 2026, no entanto, o governo Trump emitiu ordens executivas que cortam financiamento federal para escolas que ensinam esses conceitos, além de determinar a demissão de profissionais e escritórios de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) em todo o governo federal. Termos como 'interseccionalidade' foram banidos de documentos oficiais, representando um esforço deliberado para apagar quatro décadas de contribuições intelectuais de Crenshaw.
Resistência e legado intelectual
Crenshaw, aos 66 anos, continua a desafiar narrativas de poder ao nomear estruturas de opressão que muitos prefeririam manter invisíveis. Em suas memórias, ela aborda a crescente hostilidade contra suas ideias, especialmente após a reeleição de Trump, que intensificou a guerra contra o que chama de 'wokeness'. A jurista reafirma seu compromisso em 'falar a verdade ao poder', mesmo diante de um cenário político que busca silenciar debates sobre racismo sistêmico e desigualdades estruturais. Seu trabalho, agora mais do que nunca, é alvo de contestações e tentativas de deslegitimação por parte de setores conservadores nos EUA.