Etarismo no consultório ginecológico: médicos dispensam exames preventivos em mulheres acima de 60 anos
Mulheres com mais de 60 anos relatam serem dispensadas de exames preventivos como o Papanicolau por médicos, mesmo com vida sexual ativa. Especialistas reforçam que o rastreamento do câncer de colo de útero deve seguir critérios clínicos, não etários, e que o etarismo persiste em consultórios.
Relato de preconceito etário em consultório
Rejane, de 63 anos, procurou um ginecologista para uma consulta de rotina e foi informada de que não precisaria realizar o exame preventivo (Papanicolau) devido à sua idade. 'Assim que entrei no consultório, ele foi logo dizendo que eu não precisava do exame preventivo por causa da minha idade', relatou. Insatisfeita com a resposta, Rejane buscou informações e descobriu que o exame é recomendado com base em critérios clínicos, não apenas etários. Ela decidiu trocar de médico após o episódio.
Recomendações oficiais para o exame Papanicolau
O Sistema Único de Saúde (SUS) orienta que o exame Papanicolau seja realizado prioritariamente por mulheres entre 25 e 64 anos. Mulheres que nunca tiveram relações sexuais não precisam do rastreamento, já que o câncer de colo de útero está quase 100% associado ao vírus HPV, transmitido sexualmente. O SUS permite a dispensa do exame aos 64 anos apenas se a paciente tiver dois resultados negativos consecutivos nos últimos cinco anos e nenhum histórico de lesões precursoras de câncer nos últimos 20 anos. No entanto, mulheres com vida sexual ativa e sem histórico recente de exames podem continuar o rastreamento mesmo após essa idade.