Feministas defendem autodefesa coletiva como ferramenta de enfrentamento ao patriarcado na Flipei 2026
Militantes destacaram durante a 8ª Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (FLIPEI) que a autodefesa feminina deve ser construída a partir de redes de apoio e solidariedade, não apenas como responsabilidade individual. A coordenadora do Centro Social e Desportivo Estrela Vermelha, Vitória Lobo, afirmou que a vida das mulheres precisa ser reconhecida como valiosa e que a segurança deve ser garantida por meio de ações coletivas.
Autodefesa como autonomia e não individualidade
Durante a mesa 'Enfrentando o patriarcado: perspectivas da autodefesa feminina', realizada na 8ª edição da Flipei, a militante feminista Vitória Lobo, coordenadora do Centro Social e Desportivo Estrela Vermelha, defendeu que a autodefesa deve ser vista como uma construção coletiva. 'A gente reivindica a autodefesa a partir dessa perspectiva de autonomia e não de individualidade', afirmou. Segundo Lobo, a capacidade de se defender não se limita a técnicas físicas, mas envolve o reconhecimento do valor da vida das mulheres e a criação de redes de apoio. 'A gente precisa inicialmente entender que a nossa vida vale a pena', destacou.
Rede de solidariedade e enfrentamento à violência
Vitória Lobo exemplificou situações cotidianas em que a solidariedade pode contribuir para a segurança das mulheres, como caronas, hospedagem temporária e escolhas de rotas alternativas. 'Vou pro centro de noite, tem alguma camarada que pode me dar uma carona, posso dormir na casa de alguém, posso voltar de uma forma, posso voltar de outra forma', disse. A militante reforçou que a autodefesa coletiva visa evitar que a segurança seja tratada como uma responsabilidade exclusivamente individual. 'Eu tenho capacidade de me defender e de defender qualquer pessoa que eu vejo que está sendo vítima de alguma violência', completou. A mesa também contou com a participação da ex-lutadora profissional Paula Yurie e da antropóloga Tainá Farrielo, que discutiram a autodefesa como ferramenta de autonomia e produção de conhecimento.