Crescimento de interações perigosas com tubarões entre influenciadores gera alerta de cientistas
O aumento de vídeos em redes sociais mostrando pessoas nadando próximas a tubarões resultou em um aumento de incidentes graves. Especialistas alertam que a busca por fotos em redes sociais leva usuários a ignorarem protocolos de segurança e a invadirem o espaço vital dos animais.
Aumento de incidentes e riscos de segurança
O International Shark Attack File reportou um aumento acentuado no número de pessoas mordidas ao tentarem tirar fotos com tubarões nos últimos três anos. Em casos recentes, um influenciador de pesca quase perdeu a perna em julho e um criador de conteúdo chinês foi mordido nas Maldivas em dezembro. Um estudo sobre expedições de 'natação com animais selvagens' identificou que influenciadores e fotógrafos são os mais propensos a ignorar instruções de segurança. Em 2023, um turista no Caribe teve as duas mãos arrancadas ao tentar fotografar um tubarão-cabeça-chata, e um praticante de snorkeling em Israel foi morto por tubarões enquanto portava um 'pau de selfie'.
Impacto biológico e comportamento animal
Cientistas, como o especialista Kristian Parton, alertam que a aproximação humana causa estresse aos tubarões, elevando níveis de glicocorticoides, o que pode enfraquecer o sistema imunológico e aumentar a mortalidade dos animais. Embora o risco de ataques não provocados seja historicamente estável, as mordidas em interações próximas são frequentemente de natureza defensiva ou exploratória. O biólogo marinho Eric Clua afirma que a percepção de que os tubarões são menos perigosos, propagada por influenciadores, contribui para o aumento de incidentes causados por aproximação excessiva.
Controvérsias sobre a promoção de conteúdo
Influenciadoras como Ocean Ramsey defendem que seu conteúdo visa a educação e proteção das espécies, afirmando que a maioria do público possui bom senso para não replicar comportamentos de risco. Em contrapartida, especialistas como Jack Cooper criticam a prática, afirmando que a exposição de tubarões sendo importunados por humanos não fornece dados científicos nem promove políticas de conservação.