Pesquisadores desenvolvem cimento sustentável sem uso de calcário e reduzem emissões de CO₂ em até 8%
Estudo publicado na Communications Sustainability propõe alternativa ao cimento Portland, responsável por 8% das emissões globais de CO₂. A nova técnica elimina as emissões diretas do processo ao substituir o calcário por rochas alternativas, como argila ou cinzas de carvão, e pode revolucionar a indústria da construção civil.
O problema das emissões no cimento tradicional
A produção de cimento Portland, material mais utilizado na construção civil, é responsável por cerca de 8% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂). Desse total, aproximadamente 60% são provenientes da decomposição do calcário (carbonato de cálcio) durante o processo de fabricação, quando o material é aquecido em fornos a altas temperaturas para transformar-se em cal (óxido de cálcio). Os 40% restantes são gerados pela queima de combustíveis fósseis para alimentar os fornos, uma etapa que já vem sendo mitigada com o uso de energias renováveis e aumento de eficiência energética.
A solução: cimento sem calcário
Pesquisadores sugerem uma abordagem radical para eliminar as emissões diretas do processo: substituir o calcário por outras matérias-primas. O estudo publicado na Communications Sustainability propõe o uso de rochas alternativas, como argila ou cinzas de carvão, que não liberam CO₂ durante o aquecimento. A técnica mantém a resistência e durabilidade do cimento, características essenciais para a construção civil, mas remove a principal fonte de emissões do processo. "A ideia é desafiar um pressuposto centenário de que o calcário é indispensável", destacam os autores.
Desafios e perspectivas
Apesar do potencial, a adoção em larga escala do cimento sem calcário enfrenta obstáculos, como a necessidade de ajustes na cadeia de produção e a disponibilidade das matérias-primas alternativas. No entanto, os pesquisadores argumentam que a transição é viável e pode ser acelerada com investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de políticas públicas que incentivem a redução de emissões na indústria. "Este é um passo crucial para descarbonizar um dos setores mais poluentes do mundo", afirmam.