ICMBio realiza abate experimental de mais de 300 búfalos invasores em reservas de Rondônia
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) concluiu a primeira fase de um abate experimental de búfalos invasores em áreas protegidas de Rondônia, com mais de 300 animais mortos. A ação visa testar métodos eficientes e seguros para erradicação, além de avaliar impactos ambientais, com meta de eliminar 500 animais até o fim de 2026.
Objetivos e metodologia do abate experimental
O abate experimental, conduzido pelo ICMBio em parceria com outras instituições, tem como objetivo principal testar métodos eficientes e seguros para a erradicação dos búfalos invasores nas reservas biológicas de Rondônia. A operação foi dividida em duas fases, alinhadas ao cronograma de chuvas da região, e utilizou três abordagens distintas: terrestre, aquática e aérea. Cada estratégia foi empregada para avaliar a eficácia e os possíveis impactos ambientais das ações de controle. Os resultados obtidos servirão como base para a elaboração de um plano de erradicação mais amplo, com previsão de eliminar pelo menos 500 animais até o final de 2026, o que corresponde a cerca de 10% do rebanho total estimado na região.
Áreas protegidas e contexto ambiental
Os búfalos invasores estão concentrados em três unidades de conservação no oeste de Rondônia: a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D'Óleo. Essas áreas representam um ponto de encontro entre três biomas brasileiros — Floresta Amazônica, Pantanal e Cerrado — e são classificadas como as mais restritivas em termos de proteção ambiental no estado. Durante a primeira fase do abate, realizada no período de cheia, os campos da Rebio Guaporé estavam alagados, formando lagoas naturais que influenciam a dinâmica da biodiversidade local.
Aspectos legais e retomada das atividades
As atividades de abate foram inicialmente suspensas pela Justiça Federal em março de 2026, mas retomadas em 18 de maio após nova análise do caso. O juiz responsável reconheceu o caráter científico do projeto piloto, destacando sua importância para responder a questões técnicas que subsidiarão a elaboração de um plano de erradicação consistente. A operação é conduzida por controladores de fauna especializados, que utilizam rifles para o abate dos animais. A retomada das atividades reforça a necessidade de medidas urgentes para conter o avanço dos búfalos, que representam uma ameaça à biodiversidade das reservas.