Prova Nacional Docente 2025 revela baixo desempenho em Matemática e expõe falhas na formação de professores
Apenas 45% dos professores de Matemática alcançaram proficiência na Prova Nacional Docente 2025, segundo dados do Ministério da Educação. Especialistas apontam lacunas na formação inicial, separação entre conhecimento matemático e pedagógico, e falta de suporte para recomposição de aprendizagens pós-pandemia como causas do problema.
Resultados alarmantes na Prova Nacional Docente
Os dados da Prova Nacional Docente 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), revelaram um desempenho preocupante entre os professores de Matemática. Enquanto 80,2% dos profissionais de Ciências Humanas foram considerados proficientes, apenas 45% dos docentes de Matemática atingiram o mesmo patamar. A disparidade acende um alerta sobre a qualidade da formação e as condições de ensino da disciplina no Brasil, especialmente no contexto pós-pandemia, que agravou defasagens pré-existentes.
Lacunas na formação inicial e pedagógica
Kátia Smole, presidente do Instituto Reúna e ex-secretária de Educação Básica do MEC, destacou que muitos estudantes ingressam nos cursos de licenciatura em Matemática com notas baixas no Enem e defasagens significativas na própria formação básica. "Não temos clareza de como esses futuros professores estão sendo apoiados para superar essas lacunas", afirmou. Smole também criticou a separação entre o conhecimento matemático e o pedagógico nos cursos de formação, o que dificulta a integração prática em sala de aula. "O futuro professor aprende Cálculo, Álgebra e Geometria de um lado, e Didática e Psicologia da Educação de outro, mas nem sempre aprende a unir essas dimensões", explicou.
Falta de formação para recomposição de aprendizagens
A Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática, realizada pelo MEC em 2025, revelou que apenas 35% dos docentes dos Anos Finais e do Ensino Médio receberam formação aprofundada em recomposição das aprendizagens em Matemática. Nos Anos Iniciais, o percentual cai para menos de 25%. Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para a capacitação contínua e o apoio aos professores, especialmente em um cenário de recuperação pós-pandemia.