Japão reabre debate sobre armas nucleares 81 anos após bombardeios de Hiroshima e Nagasaki
O Japão revisa sua política de defesa e os 'três princípios não nucleares' após 81 anos dos ataques atômicos dos EUA em Hiroshima e Nagasaki. A primeira-ministra Sanae Takaichi e o ministro da Defesa Shinjiro Koizumi sinalizam abertura para discutir a posse de armas nucleares, gerando polêmica entre sobreviventes e grupos pacifistas.
Aniversário dos ataques e revisão da política de defesa
Em 6 e 9 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, resultando na morte de mais de 210 mil pessoas, incluindo vítimas da exposição à radiação nos anos seguintes. Os ataques marcam os únicos casos de uso de armas nucleares em conflito armado. O aniversário dos bombardeios ocorre em um contexto de revisão da estratégia nacional de defesa do Japão, impulsionada pelo fortalecimento militar da China e da Coreia do Norte e pelas incertezas sobre o compromisso dos EUA com a segurança regional.
Os três princípios não nucleares e o debate atual
Desde 1967, o Japão adota os 'três princípios não nucleares': não possuir, não produzir e não permitir a introdução de armas nucleares em seu território. Durante cerimônia em Hiroshima na quinta-feira (8), a primeira-ministra Sanae Takaichi foi questionada pelo sobrevivente Satoshi Tanaka sobre a manutenção dessa política. Takaichi respondeu que o Japão 'atualmente' segue os princípios, mas não esclareceu se pretende mantê-los no futuro. A resposta gerou preocupação entre sobreviventes e grupos pacifistas. No mês passado, o ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, defendeu uma discussão 'sem tabus' sobre armas nucleares, enquanto um alto funcionário do governo, em declaração extraoficial, sugeriu que o Japão deveria possuir armas nucleares.