Artemis 2 Completa Trajetória Lunar e Realiza Testes de Segurança em Órbita
A missão Artemis 2, com sua tripulação a bordo da espaçonave Orion, concluiu uma órbita circumlunar de livre retorno, utilizando a mesma trajetória empregada nas missões Apollo para garantir a segurança da tripulação. Em seu oitavo dia de missão, os astronautas realizaram testes cruciais contra radiação e simularam pilotagem manual da Orion.
Trajetória Lunar e Segurança da Tripulação
A missão Artemis 2 iniciou sua jornada lunar com o lançamento em uma quarta-feira, partindo em direção à Lua pela primeira vez em mais de 50 anos. Após duas voltas ao redor da Terra, a nave realizou a manobra de injeção translunar, acelerando a Orion para uma trajetória circumlunar de livre retorno. Este tipo de órbita, que utiliza a inércia e a interação gravitacional com a Terra e a Lua, permite o retorno seguro ao planeta de origem sem manobras adicionais de propulsão. Essa mesma trajetória foi utilizada nas Missões Apollo, inclusive para salvar astronautas. O motor principal do Módulo de Serviço Europeu, uma variação dos usados nas missões Apollo, foi acionado por cinco minutos e 50 segundos, impulsionando a Orion a cerca de 38 mil km/h em direção à Lua. A órbita resultante é descrita como alongada em forma de '8'.
Testes de Proteção contra Radiação e Pilotagem Manual
No oitavo dia da missão, em uma quarta-feira (8), a tripulação da Artemis 2 focou em simulações. Primeiramente, os astronautas avaliaram a capacidade de proteção contra eventos de alta radiação, como erupções solares, utilizando os suprimentos e equipamentos da Orion para construir um abrigo, se necessário. Experimentos foram programados para coletar dados sobre os níveis de radiação dentro da Orion, uma preocupação constante em missões no espaço profundo, fora da proteção do campo magnético terrestre. A NASA monitora previsões de partículas solares com IA para garantir a segurança. Posteriormente, a tripulação testou a capacidade de pilotagem manual da Orion, realizando tarefas como centralizar um alvo, posicionar a espaçonave e manobras de atitude, comparando os modos de controle de seis e três graus de liberdade. O dia incluiu o despertar da tripulação às 12h35, apresentação do status da missão às 18h, evento de downlink CSA ao vivo às 20h20, conferência de imprensa em órbita às 23h55 e detalhamento do teste de voo com pilotagem manual à 0h55 do dia seguinte, todos no horário de Brasília.
Desafios de Comunicação Lunar e Soluções Chinesas
Durante o sobrevoo do lado oculto da Lua na segunda-feira (6), os astronautas da Artemis 2 enfrentaram 40 minutos de silêncio de rádio. Este problema de comunicação é inerente à rotação sincronizada da Lua, que sempre mostra a mesma face para a Terra, impossibilitando uma linha reta direta para ondas de rádio. A China, por sua vez, já dispõe de satélites de comunicação, Queqiao-1 (lançado em 2018) e Queqiao-2 (2024), posicionados estrategicamente em órbita para retransmitir sinais do lado oculto. Esses satélites foram essenciais para as missões robóticas chinesas Chang’e 4 e Chang’e 6, que pousaram e coletaram amostras da face distante da Lua. O Queqiao-1 opera em uma órbita halo ao redor do ponto de Lagrange L2, enquanto o Queqiao-2, em órbita elíptica lunar, permite comunicação contínua com a face oculta e o polo sul lunar.