Moradores invadem hospital no Congo após morte de líder religioso por Ebola e surto atinge 220 mortes
Habitantes da província de Ituri, na República Democrática do Congo, invadiram um hospital exigindo o corpo de um pastor católico morto por Ebola. O surto, detectado em 15 de maio de 2026, já registra mais de 220 mortes suspeitas e é considerado o 17º no país. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para possível agravamento da crise devido à resistência da população a medidas de contenção.
Surto de Ebola no Congo
O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) foi detectado em 15 de maio de 2026 na província de Ituri, no nordeste do país. Desde então, mais de 220 mortes suspeitas foram registradas, conforme alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS). A cepa responsável pelo surto é a Bundibugyo, para a qual não há vacina ou tratamento específico disponível. As autoridades locais enfrentam desafios significativos para conter a propagação do vírus, que é transmitido por contato direto com fluidos corporais e pode causar hemorragias graves e falência de múltiplos órgãos.
Invasão ao hospital e resistência da população
No domingo (24), um grupo de moradores invadiu um hospital em Mongbwalu, cidade com 130 mil habitantes, exigindo o corpo de um pastor católico que morreu em decorrência do Ebola. Segundo um funcionário do hospital, que preferiu não ser identificado, os invasores tentaram recuperar o corpo em quatro ocasiões. A intervenção de soldados, que dispararam tiros de advertência, foi necessária para dispersar a multidão. A resistência da população às medidas de contenção, como o rastreamento de contatos e a proibição de rituais funerários tradicionais, tem dificultado os esforços para frear a propagação do vírus.
Desafios no combate ao Ebola
Jean Marie Ezadri, líder da sociedade civil em Ituri, destacou que nas zonas rurais da RDC, familiares frequentemente tocam os corpos e roupas dos mortos durante rituais funerários, o que aumenta o risco de contágio. A OMS alertou que o surto atual pode se agravar devido à combinação de fatores como a resistência da população, a falta de infraestrutura médica adequada e a ausência de vacinas ou tratamentos específicos para a cepa Bundibugyo. As autoridades locais e internacionais intensificaram esforços para educar a população sobre medidas de prevenção e a importância do rastreamento de contatos.