Prédios Gigantes Criam 'Cânions Urbanos' e Alteram Clima em Cidades, Revela Estudo
Pesquisadores da UFSM estudaram o impacto de prédios com mais de 120 metros de altura na criação de 'cânions urbanos' que modificam o clima local. O 'Fator de Visão do Céu' (SVF) é utilizado para medir o quanto do céu é visível do chão, influenciando a recepção e devolução de calor solar pelas ruas.
Impacto dos Edifícios na Temperatura Urbana
Em cidades densamente construídas, como Balneário Camboriú (SC), a arquitetura urbana com prédios de grande porte altera significativamente as condições climáticas locais. Esses edifícios formam o que cientistas denominam 'cânions urbanos', que atuam como corredores influenciando o fluxo de vento e a retenção de calor, resultando em um microclima distinto do ambiente externo. Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) investigou como edificações com altura superior a 120 metros geram esses climas 'artificiais', que podem gerar desconforto. A pesquisa destaca a necessidade de novas estratégias para habitação em áreas urbanas de alta densidade.
Fator de Visão do Céu (SVF) e Metodologia
Para quantificar o impacto da construção urbana no clima, a pesquisa emprega o 'Fator de Visão do Céu' (SVF), um índice que avalia a porção do céu visível a partir do nível do solo. Este fator é crucial para determinar a quantidade de calor solar que uma área urbana absorve e a sua capacidade de irradiá-lo de volta para o espaço durante a noite. Para realizar as medições, foram utilizadas câmeras com lentes de 238 graus e sensores de alta resolução, cujos dados foram processados pelo software RayMan Pro para mapear o trajeto solar entre os edifícios. Os resultados indicam que em locais com alta obstrução visual, como o ponto Emasa onde os prédios bloqueiam 78,9% do horizonte, o calor fica aprisionado devido à barreira física imposta pelas construções.