Mulheres têm dor subestimada em hospitais e recebem menos tratamento que homens, revela estudo
Uma revisão integrativa publicada em 2025 na revista Medicina revelou um padrão preocupante: mulheres têm maior probabilidade de ter a dor subestimada em hospitais e receber menos analgesia que homens. O estudo aponta que, mesmo quando relatam intensidade de dor igual ou superior, seus sintomas são frequentemente atribuídos a fatores emocionais. O fenômeno, que aparece em múltiplos cenários —da emergência ao pós-operatório e a procedimentos ginecológicos—, levanta sérias questões sobre o viés de gênero na medicina.
O Viés de Gênero na Avaliação da Dor
A pesquisa analisou estudos clínicos sobre o manejo da dor em diversos contextos, desde emergências até o pós-operatório e procedimentos ginecológicos. O resultado é consistente: a forma como a medicina 'escuta —e interpreta— a dor não é igual para homens e mulheres'. Mulheres são mais propensas a ouvir que estão 'viciadas em opioides' ou que sua dor é psicossomática, mesmo diante de evidências físicas claras, como no caso de Luciana Dores, que teve sua dor subestimada. Este viés pode levar a diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.
Impacto na Saúde e Tratamento
A subestimação da dor feminina não é apenas uma questão de conforto, mas de saúde e segurança. A falta de tratamento adequado pode levar a complicações, sofrimento prolongado e desconfiança no sistema de saúde. O estudo ressalta a urgência de treinar profissionais de saúde para reconhecer e tratar a dor de forma equitativa, eliminando preconceitos de gênero que comprometem a qualidade do atendimento e o bem-estar das pacientes. É um chamado para uma medicina mais justa e empática, que valide a experiência de dor de todos os indivíduos.