Belo Monte: Dez anos após inauguração, seca no Rio Xingu ameaça ecossistema e comunidades ribeirinhas
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, completa dez anos de operação com impactos ambientais e sociais significativos na região da Volta Grande do Xingu. A seca em trechos do rio compromete a reprodução de peixes e altera o ecossistema, enquanto comunidades ribeirinhas enfrentam dificuldades decorrentes da escassez hídrica. O Ministério de Minas e Energia defende a operação da usina, mas reconhece a necessidade de estudos adicionais para mitigação de danos.
Impactos ambientais e sociais na Volta Grande do Xingu
Dez anos após a inauguração da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a região da Volta Grande do Xingu, no Pará, enfrenta consequências ambientais graves. Um trecho do Rio Xingu sofre com a seca, impedindo a reprodução de peixes e permitindo que formigueiros ocupem áreas antes submersas. As comunidades ribeirinhas, que dependem do rio para subsistência, relatam dificuldades crescentes devido à redução do volume de água. A reportagem do Fantástico, com Sônia Bridi e Paulo Zero, documentou a situação crítica, destacando a transformação do ecossistema local.
Resposta do governo e governança da usina
O Ministério de Minas e Energia (MME) afirmou que a Usina de Belo Monte opera com um hidrograma licenciado por órgãos competentes, visando minimizar impactos na Volta Grande do Xingu. O governo federal, por meio do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), discute uma resolução para fortalecer a governança da usina, integrando aspectos ambientais, sociais e de segurança energética. A proposta inclui a participação de 17 ministérios, como o do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e dos Povos Indígenas (MPI), além de representantes da sociedade civil e academia. O MME ressaltou que a resolução prevê estudos técnicos adicionais para identificar medidas de mitigação e compensação ambiental.