Mercado global de petróleo entra em 'zona vermelha' com guerra no Irã e ameaça à oferta, alerta AIE
O mercado global de petróleo pode enfrentar uma crise crítica a partir de julho devido à guerra no Irã, alertou o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol. A oferta limitada, o consumo crescente e o bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa um quinto do petróleo mundial — agravam o cenário. A AIE estuda liberar reservas estratégicas para conter a escalada de preços e evitar desabastecimento.
Riscos e impactos no mercado
Fatih Birol, diretor-executivo da AIE, afirmou que o mercado de petróleo pode entrar em uma 'zona vermelha' entre julho e agosto caso a guerra no Irã persista. A situação é descrita como excepcionalmente instável, com uma 'sombra escura e prolongada da geopolítica' dominando o setor energético. Segundo Birol, o atual choque energético é mais grave do que crises anteriores, como as de 1973, 1979 e a guerra na Ucrânia em 2022. Cerca de 14 milhões de barris de petróleo por dia deixaram de circular no mercado internacional, agravando a escassez. A AIE, composta por 32 países, está distribuindo entre 2,5 e 3 milhões de barris diários para tentar estabilizar o mercado, mas os estoques globais continuam diminuindo.
Estratégias para mitigar a crise
A principal medida para amenizar os impactos da crise seria a reabertura integral do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde escoa um quinto do petróleo mundial. Birol destacou que os países membros da AIE estudam liberar novas reservas estratégicas de petróleo, embora 80% dos estoques coletivos ainda estejam preservados. Além disso, ele alertou que nações altamente dependentes das receitas do petróleo, como o Iraque, podem enfrentar dificuldades prolongadas para reinvestir em sua própria produção, o que poderia agravar ainda mais a oferta global.