Gentrificação climática transforma mercados imobiliários e expulsa comunidades vulneráveis em Miami e Nova Orleans
Estudo da Universidade Harvard revela como a crise climática redefine o valor imobiliário em cidades costeiras, priorizando áreas elevadas e expulsando residentes históricos. Casos como o de Miami e Nova Orleans após o furacão Katrina exemplificam o fenômeno, onde reconstruções pós-desastre beneficiam especuladores e marginalizam populações afro-caribenhas e de baixa renda.
O conceito de gentrificação climática
O termo 'gentrificação climática' foi cunhado pelo professor Jesse Keenan, da Universidade Harvard, para descrever como os impactos da crise climática alteram o mercado imobiliário. Em Miami, áreas costeiras historicamente associadas a status social e racial — predominantemente brancas — estão perdendo valor devido à erosão e ao aumento do nível do mar. Em contrapartida, propriedades situadas em altitudes mais elevadas, antes consideradas periféricas, tornaram-se alvos de especulação. Desde o ano 2000, o preço dessas propriedades cresceu de forma acelerada, refletindo a percepção de segurança contra inundações. O processo, denominado *Superior Investment Pathway*, atrai investimentos que transformam a altitude em um novo símbolo de luxo, resultando na expulsão de comunidades afro-caribenhas e de baixa renda para regiões ainda mais vulneráveis.
Reconstruções pós-desastre como motor de expulsão
A reconstrução após desastres naturais frequentemente acelera a gentrificação climática. Um exemplo emblemático é Nova Orleans após o furacão Katrina, em 2005. Enquanto bairros historicamente brancos foram rapidamente reconstruídos, a maior parte da habitação popular — ocupada por populações negras e de baixa renda — foi negligenciada ou demolida. O padrão se repete em Miami, onde a valorização de áreas elevadas expulsa residentes de longa data, que não têm recursos para competir no novo mercado imobiliário. A crise climática, assim, não apenas redefine o valor da terra, mas também reforça desigualdades socioeconômicas e raciais.