Meta utiliza influenciadores para combater leis que restringem redes sociais para adolescentes
A Meta está contratando criadores de conteúdo em mercados como Austrália, Indonésia e Índia para promover suas ferramentas de segurança e contestar proibições governamentais. A estratégia visa convencer pais e usuários de que as 'Contas de Adolescente' são suficientes para proteger menores de idade.
Estratégia de Influência e Parcerias
A Meta recorre a influenciadores de parentalidade, estilo de vida e saúde mental para promover recursos como as Contas de Adolescente, destinadas a usuários de 13 a 17 anos. Na Austrália, a empresa realizou o 'Instagram Safety Camp' em 2025, onde influenciadores como a atriz Tammin Sursok receberam patrocínio para divulgar ferramentas de supervisão parental e restrições de conteúdo. Na Indonésia, o ator Darius Sinathrya, com 1,8 milhão de seguidores, participou de ações similares. Na Índia, influenciadoras voltadas ao público de mães, como a 'Imperfect Mom Who Travels', publicaram conteúdos patrocinados sobre a criação de contas protegidas.
Contexto Regulatório e Resposta da Empresa
A ofensiva da Meta ocorre em resposta a legislações que impõem limites de idade, como a lei australiana de 2024 que proíbe o uso de redes sociais por menores de 16 anos. Desde a implementação da norma, a Meta afirma ter removido 756 mil contas suspeitas de menores na Austrália. A empresa defende que proibições abrangentes são ineficazes, pois empurram jovens para áreas menos seguras da internet. O Brasil também incluiu o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente em março de 2026, estabelecendo mecanismos de verificação de idade e vinculação de contas a pais.
Críticas e Desafios de Implementação
O Tech Transparency Project (TTP) e o ex-funcionário da Meta, Arturo Bejar, criticam a estratégia de usar influenciadores, alegando que a campanha cria uma percepção de segurança superior à realidade técnica das ferramentas. Dados do regulador australiano indicam que, apesar da proibição, mais de 80% dos adolescentes continuavam a usar redes sociais três meses após a lei entrar em vigor, evidenciando a dificuldade de impedir que usuários forneçam informações falsas ou criem novas contas para contornar as restrições.