Alice Caymmi lança álbum 'Caymmi' com releituras imersivas na latinidade e ancestralidade
Alice Caymmi, neta de Dorival Caymmi, lança o álbum 'Caymmi' em homenagem ao compositor baiano, com 12 releituras que exploram a latinidade vintage, ritmos jamaicanos e influências afro-brasileiras. O trabalho, produzido por Iuri Rio Branco, destaca a voz grave e a abordagem contemporânea da artista, sem se prender ao reggaeton atual.
Releituras e influências musicais
O álbum 'Caymmi', lançado no dia do 112º aniversário de Dorival Caymmi (30 de abril), apresenta 12 músicas do compositor baiano com arranjos que mesclam latinidade vintage, reggae e ritmos afro-brasileiros. A produção musical de Iuri Rio Branco incorpora baixo, bateria, guitarra, percussão e programação, criando uma sonoridade contemporânea que dialoga com a tradição. Destaques incluem 'Canção da partida' (1957), temperada com salsa, e 'Maracangalha' (1956), deslocada para um calypso. A faixa 'Modinha para Gabriela' (1975) é introduzida com a cadência do alujá, ritmo do Candomblé, reforçando a conexão entre Bahia e Jamaica.
Conexão ancestral e legado familiar
Alice Caymmi segue um caminho distinto de sua tia, Nana Caymmi, ao reinterpretar o repertório de Dorival Caymmi. O álbum explora a ancestralidade enraizada em Salvador e Kingston, com sambas como 'Dois de fevereiro' (1957) e 'O que é que a baiana tem?' (1939) ganhando novas roupagens. A faixa 'Canto de Obá' (1972), parceria de Dorival Caymmi com Jorge Amado, é recriada com toques de ijexá, reforçando a ponte cultural entre Brasil e Caribe. A voz grave e doce de Alice, semelhante à do avô, é um dos pilares do projeto, que busca um olhar inovador sobre a obra de Caymmi.