Chuvas intensas deixam 150 famílias indígenas desabrigadas em Caucaia, Ceará
Fortes chuvas alagaram a comunidade indígena Tapeba, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, deixando cerca de 150 famílias desabrigadas. Moradores relatam perdas materiais, invasão de animais peçonhentos e protestam por soluções urgentes do governo. Acordo de realocação firmado há 10 anos ainda não foi cumprido.
Impacto das chuvas na comunidade Tapeba
A comunidade indígena Tapeba, localizada em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, foi severamente afetada por chuvas intensas no início da semana. Cerca de 150 famílias tiveram suas casas alagadas, resultando na perda de móveis e objetos pessoais. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o acumulado de chuvas em abril na cidade atingiu 224,8 milímetros. Moradores relatam que, além dos prejuízos materiais, houve o aparecimento de animais peçonhentos nas residências, aumentando os riscos para crianças e idosos.
Protesto e pedidos por soluções
Na segunda-feira (20), os moradores realizaram um protesto na BR-222 para exigir providências do governo. Maria Leandro, uma das afetadas, descreveu a situação: "Eu me acordei com pessoas entrando dentro da minha casa, pedindo para eu me acordar e atrepar as coisas, porque estava vindo muita água. Quando eu olhei, a água entrou de uma vez, aí as pessoas que vieram aqui me ajudaram a atrepar a geladeira". Antônia Lima, outra moradora, destacou a gravidade da situação: "Chega aqui na cintura da gente a água dentro de casa. A gente fica sem nada, eu perdi tudo, as crianças ficam doentes, as cobras ficam andando dentro de casa".
Acordo não cumprido
Os moradores aguardam o cumprimento de um acordo firmado há 10 anos com o Governo do Ceará, que prevê a realocação das famílias para um local seguro. "Aqui nós temos em torno de 150 famílias que foram atingidas pela enchente e estão com muita dificuldade para fazer a sua alimentação. O pouco que tinha a maré levou, porque eles foram surpreendidos com a casa cheia de água", afirmou um representante da comunidade. A escola local foi aberta como ponto de apoio para as famílias afetadas.