Exército dos EUA enfrenta desafio humano na modernização tecnológica, afirma ex-CIO
O ex-diretor de tecnologia do Exército dos EUA, Leonel Garciga, revelou que o maior obstáculo na modernização das Forças Armadas não é a adoção de novas ferramentas, mas a resistência dos soldados e da instituição em adaptar processos e mentalidades. Garciga destacou que a implementação de tecnologias como IA e automação exige uma mudança cultural, com mais espaço para experimentação e aceitação de riscos.
Tecnologia não é o maior desafio
Durante seu mandato de três anos como Chief Information Officer (CIO) do Exército dos EUA, Leonel Garciga implementou mudanças significativas na adoção de tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial e ferramentas digitais. No entanto, ele afirmou que o maior desafio não foi a tecnologia em si, mas a resistência das pessoas em alterar métodos tradicionais de trabalho. "O mais difícil nunca é a tecnologia, jamais", declarou Garciga em entrevista ao Business Insider. "É fazer com que as pessoas repensem como e por que fazem as coisas."
Mudança cultural e experimentação
Garciga enfatizou a necessidade de criar um ambiente onde soldados e civis possam experimentar novas ferramentas em um "sandbox" supervisionado, reduzindo a resistência à automação e à inovação. "As pessoas sempre ficam nervosas quando a automação ou a tecnologia chegam", explicou. Para acelerar a modernização, ele adotou uma abordagem de implementação rápida, priorizando a experiência do usuário e aceitando riscos, mesmo que isso significasse "quebrar alguns vidros" no processo. Essa estratégia contrasta com os longos ciclos de desenvolvimento tradicionais das Forças Armadas.
Lições para operações inflexíveis
A experiência do Exército dos EUA na modernização tecnológica serve como um estudo de caso para organizações inflexíveis em qualquer setor. Garciga destacou que a chave para o sucesso está em incentivar a experimentação e a adaptação contínua, em vez de depender de processos burocráticos e deliberações prolongadas. "Vamos disponibilizar [a tecnologia] de forma ubíqua e ver o que acontece", resumiu, defendendo uma abordagem mais ágil e menos avessa ao risco.