Profissionais aumentam horas de trabalho e reduzem pausas por medo de IA, aponta pesquisa
Profissionais estão trabalhando em média 2 horas e 24 minutos extras por semana para demonstrar valor diante do avanço da inteligência artificial e aumento de demissões, segundo pesquisa da Resume.io. Especialistas alertam que essa estratégia pode não ser eficaz e que o mercado valoriza cada vez mais o 'como e para quê se trabalha'.
Relevância e Produtividade em Disputa com a IA
O avanço da inteligência artificial e o aumento das demissões, especialmente no setor de tecnologia, têm levado profissionais a intensificar seu esforço no ambiente de trabalho. Uma pesquisa da plataforma Resume.io, que entrevistou mais de 3 mil profissionais, revelou que empregados têm dedicado uma média de 2 horas e 24 minutos extras por semana para provar seu valor. Isso equivale a aproximadamente 125 horas de trabalho adicional por ano. Essa dedicação extra se manifesta em mais horas extras, pausas para almoço mais curtas e o que os especialistas chamam de “teatro da produtividade”, onde os trabalhadores se empenham em parecer constantemente ocupados. No entanto, especialistas como Thiago Genaro, psiquiatra da Conexa, apontam que o aumento do volume de trabalho não garante a segurança do emprego. Genaro afirma que trabalhar mais horas não irá, necessariamente, proteger os postos de trabalho e que essa insegurança diante da IA reflete uma estratégia que pode não se alinhar às mudanças estruturais do mercado, que, segundo ele, prioriza o 'como e para quê se trabalha' em detrimento do 'quanto se trabalha'. Emilio Salcedo, especialista em tecnologia da RS Systems, adiciona que a insegurança é agravada pela forma como a tecnologia é integrada nas empresas. Ele explica que, apesar de a IA poder automatizar tarefas repetitivas, ela pode intensificar a pressão por produtividade se as metas e expectativas de desempenho não forem revisadas, criando um cenário de aumento de pressão para os trabalhadores.