Nevoeiro Amazônico Transporta Microrganismos Vivos, Revela Estudo Inédito
Uma pesquisa pioneira com 36 cientistas do Brasil e seis outros países confirmou pela primeira vez a presença de microrganismos vivos em gotículas suspensas no nevoeiro da Amazônia. Bactérias e fungos, normalmente encontrados no solo, foram identificados a mais de 40 metros de altura, atuando na colonização de novas áreas da floresta. O estudo, publicado na Communications Earth and Environment, sugere que o nevoeiro funciona como um habitat microbiológico, protegendo essas células contra radiação ultravioleta e desidratação.
Descoberta de Microrganismos em Aerossóis de Nevoeiro Amazônico
Um estudo conduzido por 36 especialistas em diversas áreas científicas, provenientes do Brasil e de seis nações estrangeiras, confirmou a existência de microrganismos vivos dentro das gotículas de água que compõem o nevoeiro amazônico. Estas partículas, encontradas suspensas no ar a altitudes superiores a 40 metros, incluíam espécies como a bactéria *Serratia marcescens* e o fungo *Aspergillus niger*. Esses organismos, habitualmente presentes no solo da floresta e responsáveis pela decomposição de matéria orgânica, foram identificados em aerossóis, partículas microscópicas suspensas na atmosfera. O químico Ricardo Godoi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e líder da pesquisa, destacou que "os nevoeiros transportam esses microrganismos, ajudando-os a colonizar novas áreas da floresta".
O Nevoeiro Como Habitat e Via de Dispersão
A pesquisa, publicada em fevereiro na revista Communications Earth and Environment, representa um marco por ser o primeiro a comprovar que células vivas e capazes de reprodução viajam no nevoeiro. Anteriormente, sabia-se da presença de micróbios em aerossóis, mas o papel do nevoeiro como veículo e habitat era pouco compreendido. Um estudo de 2019, liderado pela bióloga Sarah Evans, já havia indicado um aumento na diversidade microbiana no ar durante neblina costeira na Namíbia. No contexto amazônico, as gotículas de nevoeiro atuam como refúgio contra a radiação solar ultravioleta e a perda de água, sendo descritas por Godoi como "um hábitat microbiológico".